Projeto São Francisco: bombeamento suspenso preocupa o Ceará

Por Egídio Serpa 10/01/2022 - 08:54 hs
Foto: Divulgação
Projeto São Francisco: bombeamento suspenso preocupa o Ceará
O bombeamento das águas do S. Francisco para o ramal cearense do Canal Norte está suspenso

Preocupam-se os agricultores e pecuaristas do Ceará com a situação do açude Castanhão, que está com menos de 9% de sua capacidade de 6,5 bilhões de metros cúbicos de água.

A preocupação faz sentido: desde setembro do ano passado, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) mantém suspenso o bombeamento das águas do Projeto São Francisco de Integração de Bacias para o ramal cearense do seu Eixo Norte.

Assim, todos os 10 metros cúbicos por segundo bombeados desde a Estação Elevatória de Salgueiro (PE) para a barragem do Jati (CE) estão sendo desviados para a Paraíba e o Rio Grande do Norte.

O Ceará precisa, nos próximos 90 dias, de 100 milhões de metros cúbicos para recarregar o Castanhão, garantindo o suprimento de água para a Região Metropolitana de Fortaleza.

A retomada do bombeamento depende de uma autorização do titular do MDR, Rogério Marinho, que há uma semana entrou em férias e não tem respondido a apelos de deputados federais cearenses, que pedem o reinício do bombeamento.

E a oportunidade é ótima para essa retomada, uma vez que o rio Salgado, por onde descem as águas do São Francisco em direção ao Castelão, está correndo em enchentes causadas pelas últimas chuvas no Sul do Ceará, onde estão os afluentes daquele que é um dos rios mais importantes daquela região. O ministro Rogério Marinho tem-se mostrado simpático às reivindicações do governo e das lideranças empresariais do Ceará, mas a demora em solucionar o problema da suspensão do bombeamento é uma preocupação que tem crescido nos últimos dias.

Retomar esse bombeamento sem prejudicar paraibanos e potiguares é fácil: bastará ligar a segunda bomba da Estação Elevatória de Salgueiro, dobrando para 20 metros cúbicos por segundo o volume de água – 10 m³/s seriam dirigidos ao Castanhão e o restante seguiria o curso mantido desde setembro – ou seja, iria para o ramal do Canal Norte que leva água do São Francisco para os dois estados vizinhos.

DN